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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Olá!
Estava pesquisando sobre Autismo, e entrei no site Anjos de Barro onde encontrei um depoimento muito bonito, gostaria de compartilhar com vocês.


Oi Amigas, talvez não saibam a nossa história, vou resumir...
Eu não fui uma mãe abençoada como vcs, eu tive que ir buscar a minha benção.
Explico: Eu sou diabetica, insulino dependente, posso ter filhos, mas é tão perigoso...
Tentei duas vezes e não deram certo, mas tinha consciencia do risco da criança não ser "perfeita", mas como eu mesma não sou (hahahaha), isso nunca me assustou.
Eu tenho convulsões sempre, e já estive mais de 90 dias (ao todo) em coma. Portanto, eu sou deficiente. Certo.
Até aí tudo certo, eu pensava em adoção, mas nunca de modo especial, e sempre fiz trabalho voluntário. Eis que eu estou em mudança, após a venda de uma empresa, resolví tirar 3 meses de férias no Nordeste, mas precisamente em Aracaju (casa da sogra).
Bem, eu sempre fui voluntária em tudo, ia ter uma festa de Natal num Orfanato, lá vou eu ajudar.
Foi dia 22 de Dezembro de 2002, ela tinha exatamente 3 meses.
Bem, eu brinquei com todas as crianças do orfanato, depois, fui para o berçário.
Quando fui pegar a Má, uma moça falou:
Esta não escuta, ela tem Paralisia Cerebral. Eu a peguei, ela não chorava, não ria, não se mexia (seus pezinhos estavam atrofiando), não reagia a luz, nada.
Eu cantei para ela, e a Má nasceu, ali, naquele momento.
Ela me viu, ela me ouviu, foi a música, ou algum milagre divino.
Bem, mas o fato é que quando eu fui colocá-la o berço ela chorou!!!
Todos vieram ver... Diagnóstico unânime: Carla, é sua filha!!!
Dia seguinte eu na casa !!! do juiz, ele, de pijama, me atendeu em função de conhecer meu sogro.
E disse: Vc quer adotá-la? Tem que morar aqui. Pelo menos até sair a adoção.
Sabe aquele momento em que vc não hesita?
Só perguntei: Tem algum bairro de sua preferência???
Morei em Aracaju um ano. Gastei o dinheiro da venda da empresa todo, rsrsrsr
Ela não tinha PC, só era autista.
Pela demora, pelo abandono, tudo demorou um pouco mais com a Má.
Ela firmou o pescoço com 1 ano e dois meses, engatinhou com quase dois anos.
Riu com um ano e meio.
Hoje a minha benção tem quase 3 anos, está começando a falar e pedir as coisas, está quase andando, e canta...
Canta como uma adulta, tem uma pronuncia perfeita, canta Carinhoso (Argemiro diz que é para mim, e eu, derretida, acredito, hihihi), canta Folhetim, Sobradinho, A vida é um moinho, o Condor... E por aí afora... É a luz dos meus olhos.
Pretendo adotar mais duas meninas, não quero escolher, mas quero que sejam especiais, acho que nasci para ser uma mãe abençoada.
Essa é a nossa história, fotos da "Grande Estrela" lá nas fotos do grupo.
Escreví tudo isso para dizer que as invejo... Muito!!!

Com Amor

Carla da Má

terça-feira, 10 de agosto de 2010


Autismo - Um convite à esperança

Entrevista com Veronica Bird, mãe de um garoto que vai à escola, joga futebol, tem amigos, faz cálculos como ninguém e é autista.

A criança não balbucia uma palavra, não aponta objetos, não olha nos olhos das pessoas. São sinais típicos do autismo, doença que não tem cura e é vista por muitos como uma sentença definitiva. Veronica Bird, 42 anos, brasileira radicada nos Estados Unidos e mãe de um garoto com o problema, também achava que autismo era o fim de tudo. Não acredita mais nisso — e ninguém acreditaria mesmo, ao ver seu filho Ramsey, 7anos. “Ele vai à escola, tem amigos, faz esportes, é super amoroso”, conta Veronica, ex-atriz que decidiu assumir grandes papéis na vida: cuidar do filho e da Veronica Bird Charitable Foundation, entidade divulgadora do autismo, com escritório também no Brasil, no Rio de Janeiro. Nesta entrevista a CRESCER, ela explica sua visão do problema e conta sua experiência.

Crescer: Quando você soube que seu filho era autista?
Verônica: Quando Ramsey tinha quase 2 anos de idade, de repente, ficou diferente: parou de falar, não olhava para mim, parecia totalmente surdo e batia os bracinhos como se fossem as asinhas de um beija-flor. Levei-o a três pediatras e ninguém descobria o que ele tinha. Um desses médicos, porém, achou que Ramsey tinha uma quantidade de secreção anormal nos ouvidos e por isso não escutava. Receitou para ele um antinflamatório. Depois das primeiras doses, ele disparou a falar. Achei estranho e consultei um médico otorrino, que não encontrou nada no ouvido do meu filho. Aí, fui parar no chefão do setor de pediatria neurológica de um famoso hospital, o Johns Hopkins Medical School. Esse neurologista fez vários exames em Ramsey e diagnosticou o autismo regressivo, uma forma da doença que faz a criança perder habilidades que já tinha. Ele disse que o antinflamatório que Ramsey havia tomado, chamado prednisona, estava em estudos para o tratamento de crianças autistas, que essa droga as fazia falar. O remédio tinha funcionado no meu filho. Como você reagiu à notícia? Chorei muito. Ao mesmo tempo, acho que liguei um piloto automático e comecei a agir. Minha família deu apoio, mas meu marido e a família dele não admitiam o problema. Nos Estados Unidos, tudo que se refere à saúde mental é tabu. As pessoas fazem segredinhos. Eu, ao contrário, decidi aprender tudo sobre autismo e fui constatando que essa doença não é o fim de tudo.

Crescer: Como Ramsey foi tratado?
Verônica: Após o diagnóstico, ele passou a freqüentar uma sala de educação especial com outras crianças autistas. E tomou a prednisona por cinco meses. Começou a falar e a escutar. Melhorava cada vez mais. Era a primeira vez que se usava o remédio numa criança com a idade dele, 2 anos na época. Algumas crianças autistas reagem bem a essa droga, mas ela ainda não foi aprovada para o tratamento da doença. Ninguém sabe por que funciona, e o remédio pode ter efeitos colaterais graves e levar à morte. Jamais deve ser tomado sem indicação médica. O que funcionou mais, o remédioou a educação especial? Provavelmente, a combinação das duas coisas. Com os progressos do meu filho, descobri que o autismo é o resultado de uma desordem neurológica que afeta o desenvolvimento do cérebro. Por exemplo, uma criança de 3 anos aprende automaticamente a falar, comprimentar os outros, ir ao banheiro. Se tem autismo, não aprende assim, porque seu cérebro não está se desenvolvendo como deveria. É essencial que ela tenha uma educação especial intensiva, como o Applied Behavior Analysis (ABA) ou o Lovass. São métodos que induzem a uma forma de comportamento. Quando a criança faz o que se pede, ganha uma recompensa. O ABA é utilizado no Brasil pela Associação de Amigos do Autista (AMA) e pelo Centro de Referência e Apoio às Desordens do Desenvolvimento (CRADD). A criança com autismo precisa aprender tudo desse jeito e pela repetição, nem que seja fazendo cem vezes a mesma coisa. Como está seu filho hoje? Ramsey não precisa mais de tratamento. Tem limitações mínimas, puramente sociais. Por exemplo, tem amigos, mas nunca inicia uma amizade. Só fala do que interessa a ele, pois não percebe que o outro tem interesses. Mas é um garoto feliz, à maneira dele. Faz tudo sozinho. Estuda, lê e resolve cálculos melhor que outras crianças. Ele e meu outro filho, o Ryan, que tem 8 anos, têm uma professora de português. O Ramsey está aprendendo mais rápido, e o Ryan reclamou. Eu disse a ele: “Você faz tanta coisa a mais do que seu irmão. Porque ele não pode fazer também?”. Seu envolvimento com o autismo ajudou seu filho? Foi tão importante quanto o apoio clínico e educacional. E também o fato de o diagnóstico ter sido precoce e ele ter tido acesso a um colégio apropriado já aos 2 anos de idade. Isso é essencial para a criança autista progredir, pois seu cérebro está se desenvolvendo até os 5 anos. Se todas as crianças autistas tivessem essa chance, muitas delas estariam mil vezes melhor. Se vocês conhecessem meu filho, não perceberiam nada. Tecnicamente, não posso dizer que ele está curado, pois o autismo não tem cura. Mas me dêem o nome de dez pediatras para eu levá-lo a uma consulta e, garanto, todos vão dizer que ele não tem nenhum problema.

Filme da vida real
Veronica Bird registrou em vídeo a evolução do tratamento do seu filho Ramsey. A produção deu origem ao filme The different shades of autism(As diferentes formas de autismo),feito para orientar médicos, pais e psicólogos a reconhecer os primeiros sinais da doença. O trabalho foi aprovado pela academia pediátrica norte-americana, ganhou vários prêmios e tornou-se um recurso adicional de ensino nas escolas de medicina. “No Brasil, estou buscando uma parceria com o governo federal para reprodução e distribuição do filme em português. Meu objetivo é que, em menos de um ano, ele esteja nas universidades e bibliotecas, com os pediatras e pais”, diz Veronica.

Para saber mais:
Fundação Veronica Bird, Avenida dasAméricas,700,sala 229,bloco 6,Citta America, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ,CEP 22640-100,(21)3803-8080 /3803-7765 /3803-7145,e-mail vbcf@citta-america.com,www.aheadwithautism.com(com versão traduzida para o português).


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Programa permite identificar casos de autismo em crianças por voz
Método distingue garotos com autismo dos demais em 86% dos casos.
Estudo foi realizado pela Universidade de Memphis, nos EUA.


Pesquisadores da Universidade de Memphis desenvolveram um programa que utiliza um padrão de vozes de crianças para identificar casos de autismo, conforme estudo publicado nesta segunda-feira (19) no site Proceedings of The Natural Academy of Sciences.

Realizada por uma equipe da Universidade de Memphis, nos Estados Unidos, a pesquisa considerou 1.486 gravações de 232 crianças por meio de um algoritmo baseado em 12 parâmetros acústicos ligados com desenvolvimento vocal. São 3,1 milhões de declarações e discursos usados pelo time liderado pelo professor Kimbrough Oller.

A tecnologia, conhecida como LENA, mostra que as manifestações pré-verbais de crianças muito jovens com autismo são distintas das demais, com aproveitamento de até 86% nos resultados.

Para o especialista, o trabalho é a prova de que a análise de um grande número de gravações pode ser uma alternativa ao repertório científico em trabalhos sobre desenvolvimento vocal.

"Outros estudos já haviam sugerido que crianças com autismo possuem uma assinatura vocal diferente, mas até este estudo faltava um mecanismo adequado para medição", afirma Steven Warren, professor da Universidade de Kansas e colaborador do estudo.

Segundo Warren, é possível diagnosticar crianças com autismo por meio do espectro vocal com apenas 18 meses. Nos Estados Unidos, o problema é detectado, em média, quase aos seis anos de idade.

"Essa tecnologia pode ajudar os pediatras a encaminhar as crianças a um especialista, se necessário, e prover tratamento mais cedo àquelas com autismo", diz Warren.

terça-feira, 3 de agosto de 2010


Autismo: Acompanhamento com carinho

Jornal da USP

Texto do Jornal da USP explica as peculiaridades dos autistas, como acompanhá-los e observar seus talentos

O que é um autista e como lidar com ele? Aparentemente, não existe muitadiscordância em relação ao autismo - definido pela Associação Nacional de Crianças Autistas, dos Estados Unidos, como inadequabilidade no desenvolvimento, que se manifesta de maneira grave durante toda a vida e aparece tipicamente nos três primeiros anos, afetando cerca de cinco crianças em cada dez mil nascimentos, mais meninos que meninas -, mas no Brasil há poucas pesquisas sobre o assunto e muitas divergências sobre estatísticas. Especialistas e não especialistas concordam num ponto: pouco tem sido feito no País em favor das pessoas afetadas pelo autismo. No mundo todo o avanço na recuperação de pacientes é lento.

Entre os serviços de atendimento a autistas em São Paulo existem dois com características próprias. No Hospital das Clínicas, funciona o Ambulatório Didático de Fonoaudiologia em Psiquiatria Infantil, além do setor chamado Investigação Fonoaudiológica em Psiquiatria Infantil, situado na Cidade Universitária.

O outro serviço é prestado pela Associação dos Amigos da Criança Autista (Auma), fundada em 1990 pela assistente social Eliana Rodrigues Boralli Lopes e o marido Wagner Lopes. A entidade tem sede na rua Félix Pacheco, em Santana, e cuida de vinte crianças. O HC põe à disposição dos pacientes toda a estrutura médica e de pesquisa da USP, enquanto a Auma, armada de muita boa vontade, foi buscar tecnologia nos Estados Unidos, tentando adaptá-la às condições brasileiras.

"Ilhas de habilidades"
O autista evolui na medida em que "funciona" melhor e funcionar é uma questão de constante treinamento.

O termo "funcionar" é utilizado por especialistas no assunto, como Fernanda Dreux Miranda Fernandes, professora que trabalha no setor de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da USP.

Ela explica que, em meio a enorme diversidade, os autistas apresentam verdadeiras "ilhas de habilidades".

Sem mesmo ser especialista no assunto, Eliana Rodrigues Boralli Lopes, mãe de uma menina autista de onze anos e meio, usa o mesmo termo. Desesperada pela busca de alternativas para cuidar da filha, sem sucesso, passou a estudar o assunto a partir de autores nacionais e estrangeiros, até chegar a um grau de amadurecimento que lhe permitiu fundar a Auma e escrever um livro sobre o assunto: Autismo - trabalhando com a criança e com a família. A obra se baseia em dados empíricos e demonstra um esforço para entender o distúrbio autista, a partir da observação do comportamento das crianças.

As diferenças são comuns entre os autistas. Alguns apresentam inteligência acima da média e são identificados como de "alto funcionamento", outros nem tanto.

Há os que conseguem bom raciocínio com números, outros com cores. "É bastante conhecido o fato de o autista conseguir guardar o dia da semana e do mês de dez anos à frente", diz Fernanda, lembrando o filme Rain Man , no qual Dustin Hoffman interpreta alguém com esse tipo de distúrbio.

Para a fonoaudióloga, isso ocorre pela facilidade que o autista tem de centrar a atenção em um determinado objeto. "Tenho um paciente que dirige carros, terminou o curso colegial, tem facilidade em matemática, mas está com dificuldade em química. É dos que têm bom funcionamento", resume. Há os que demonstram interesse por escala de cores e conhecem, pelo nome, todas elas. "Tive um aluno a quem jamais passaram despercebidas todas as graduações do azul", lembra.

Eliana Boralli, da Auma, aponta a dificuldade das crianças de dar nomes às cores. "Eu noto que elas dão nomes de cores a sensações variadas. São capazes, como ocorreu à minha filha, de identificar uma simples corrida com a cor vermelha. Um de meus alunos já identifica um estado de muito nervosismo com calor intenso."

Cerca de 60% dos autistas não falam. E todos mantêm distúrbios em seu contato com o mundo com o qual se relacionam de modo muito específico, geralmente através de gestos. Os bem adaptados convivem com algum tipo de sociabilização, embora os agrupamentos possam se dar em níveis muito diferentes.

"São pessoas muito suscetíveis ao que se ensina. Mas, pela dificuldade de conhecer o outro e a si mesmas, não entendem sentimentos de alegria ou tristeza, por exemplo. Não são capazes de avaliar a dor alheia ou a sua própria, pois são incapazes de perceber as sensações", segundo a professora Fernanda.

Futuro digno
Isso se explica pelo fato de os autistas terem "dificuldade em estruturar o eu". A assistente social Eliana Boralli prefere dizer que "os autistas têm o eu lesado, de onde se originam muitos de seus problemas". Tal fato se refletiria nas crianças quando não usam adequadamente as palavras ou as aplicam sem manter nenhuma relação com o que está sendo dito. "Talvez aí muitos pais vejam ligações que, às vezes, não existem e passem a entender que seus filhos são até muito mais inteligentes do que parecem ser, numa tentativa de salvá-los do mal de que são acometidos", observa Fernanda Dreux.

"Minha filha gosta bastante de computação e eu vejo um futuro digno para ela", acrescenta Eliana Boralli, lembrando Temple Grandin, autista norte-americana, PhD em ciências animais, biológa e engenheira bem-sucedida, que representa até hoje um desafio para a compreensão do autismo e suas implicações.

Entre os autistas não se generalizam nem fracassos nem sucessos, mas os sucessos são raros, afirma Fernanda Dreux. Estas questões, segundo ela, estão também relacionadas à família, quanto à aceitação ou não da criança desde a concepção. "O desenvolvimento da criança será melhor ou pior a partir do tratamento da criança pela família", informa.

Habituada a desenvolver trabalhos de grupo, Eliana não entende o tratamento de crianças autistas sem a participação familiar. Ensina essa prática na sede da Auma, indicando o melhor meio de conviver com o problema. Aplica nas crianças um método desenvolvido pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, adaptado à cultura brasileira. É o método Teacch (Tratamento e educação para autistas e crianças com déficits relacionados à comunicação).

Hoje, depois de anotar pormenorizadamente o comportamento de cada criança inscrita na Auma, freqüentar seminários e realizar trabalhos junto a outras entidades com o mesmo objetivo, foi convidada a conhecer o trabalho desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte, no ano que vem.

Eliana tem planos de transformar sua entidade num centro de estudos e pesquisas da doença como parte de seus objetivos a serem alcançados no ano 2000.

Para a professora Fernanda, o processo de aprendizagem percorre um caminho linear, embora haja graus de intensidade de tal distúrbio, que variam de acordo com o país, a cultura ou a linha de raciocínio dos autores. "Há países em que determinados tipos de comportamentos são mais tolerados que em outros, o que leva a crer que os distúrbios, de modo geral, são uma questão também cultural."

Ela exemplifica isso através do comportamento de um autista vindo do Ceará para um seminário em São Paulo, tido por seus orientadores como perfeitamente adaptado. "Durante o evento, o rapaz ficou o tempo todo abraçado a um palestrante alemão, provavelmente para desprazer desse e aprovação dos orientadores."

Isso significa que, no entender dos cearenses, o rapaz estava perfeitamente sociabilizado e, no entender do alemão, cuja cultura propõe maior distanciamento em ocasiões como esta, talvez não. Segundo Fernanda Dreux, crianças autistas aceitam o afeto momentaneamente e podem dispensá-lo em seguida.

De acordo com as pesquisas que vem empreendendo na Auma, Eliana constatou que grande parte dos autistas não entende ou não gosta do contato físico; aprende por associação e pode ou não falar ou escrever. Ela concorda com a fonoaudióloga quando diz que os autistas não se agrupam, nem mesmo a seus pares.

As estatísticas sobre o número de autistas existentes no mundo são divergentes. Variam de 4 a 5 para 10 mil nascimentos e de 2 a 3 para cada grupo de 20 mil.

domingo, 1 de agosto de 2010

Área do Autismo

DOCUMENTO ELABORADO DURANTE O VII CONGRESSO BRASILEIRO DE AUTISMO, EM FORTALEZA-CE

A Associação Brasileira de Autismo – ABRA, entidade nacional que congrega as associações de pais e amigos do autista no Brasil, reunida durante o VII Congresso Brasileiro de Autismo, realizado na cidade de Fortaleza – CE, no período de 21 a 26 de novembro de 2006, considerando a realização da Câmara Técnica “Década das Pessoas com Deficiência” a ser realizada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos por meio da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, elaborou juntamente com a comissão escolhida na plenária do Congresso o documento que segue, no intuito de colaborar para a melhoria das condições de atenção à Pessoa Portadora de Autismo e de outros transtornos do desenvolvimento.

Os participantes do VII Congresso Brasileiro de Autismo, pais, amigos, profissionais, pessoas com autismo reivindicam da SEDH/CORDE que o documento seja considerado como subsídio de estudo e encaminhamento durante a realização da Câmara Técnica, assim como que o mesmo seja divulgado no âmbito do Governo Federal, incorporando-o nas metas da década.

Para que possamos de fato atingir as metas do milênio, as pessoas com Autismo e suas famílias devem ser contemplados nos seguintes aspectos:

1. Que as famílias tenham garantia de cumprimento das políticas publicas de assistência social, saúde, educação, transporte, lazer, cultura, e esportes.

2. Criação de pelo menos um centro de referencia em atenção à pessoa com autismo, por estado.

3. Criação de Programa Educacional Individualizado, atendendo as necessidades especiais e singulares das pessoas com Autismo, independente da idade, sexo, condição, social, raça, religião ou orientação política. O mesmo deve ser elaborado em parceria com as famílias e organizações do terceiro setor interessadas nesta causa.

4. O atendimento com educação de qualidade por profissionais capacitados para atender pessoas com Transtornos do espectro do autismo deve ser garantido, quer seja em escolas regulares ou de ensino especial.

5. Regulamentar, no âmbito educacional, a figura do facilitador: profissional que tem a função de acompanhar o educando com autismo intermediando a ação pedagógica e promovendo as adaptações curriculares necessárias a sua inclusão.

6. O atendimento em saúde seja garantido em equipes multiprofissionais capacitadas para atender Pessoas com Transtorno do espectro do autismo.

7. Garantir acesso aos medicamentos necessários ao tratamento de sintomas alvo, respeitando a resposta individual de cada um.

8. Atendimento especializado a gestante e ao recém nascido em cuja família já existam casos de Autismo.

9. Objetivando a melhoria da qualidade de vida das pessoas com autismo e de suas famílias: estimular e apoiar a permanência de tais pessoas no seio familiar. Criando programas de acompanhamento e orientação sistemática para as famílias. E, nos casos em que de todo não seja possível à permanência com a família, sejam criadas residências terapêuticas especializadas em Autismo, respeitando o desejo e as potencialidades de cada indivíduo. A utilização dessas residências poderá ser por períodos variáveis, levando em conta as necessidades de cada caso.

10. Objetivando a inclusão social, promover campanhas informativas para sensibilizar a comunidade sobre as necessidades do individuo com autismo e de sua família.

11. Estimular o diagnóstico e a intervenção precoce, por meio de capacitação dos pediatras e outros profissionais da saúde e da educação. Criação e divulgação de serviços especializados em intervenção precoce em casos de suspeita de transtorno do espectro autista.

12. Capacitar os serviços de saúde, inclusive os de atendimento de emergência, de saúde bucal e ambulatórios em geral, assim como outros que prestem atendimento direto à população a lidar de forma mais adequada com as pessoas com Transtornos de comportamento.

13. Estimular a inclusão no mercado de trabalho, objetivando uma vida autônoma e produtiva da pessoa com autismo. Treinar profissionais em orientação vocacional e identificação de talentos, habilidades e interesses com fins de profissionalização e inserção no mercado de trabalho. Criação de oficinas terapêuticas e postos em emprego protegido.

14. Os benefícios de assistência e previdência social devem poder ser retomados, caso a inclusão no mercado de trabalho não tenha continuidade.

15. Isenção de impostos para aquisição de equipamentos e recursos específicos para aperfeiçoamento dos serviços de atendimento especializados.

16. Conceder incentivos fiscais a empresas que ofereçam apoio a organizações não governamentais que promovam o atendimento e orientação a pessoas com autismo e suas famílias.

17. Incentivar cursos de capacitação para formação e reciclagem dos profissionais envolvidos no atendimento das pessoas com autismo.

18. Favorecer a troca de experiências e informações com serviços e centros internacionais especializados.
19. Apoiar a criação e o fortalecimento de associações de pais e de pessoas com Transtornos do espectro do autismo, visando sua maior participação na sociedade e intercâmbio de experiências, controle social da execução das políticas públicas para o setor.

Fonte: CAADE – MG | Coordenadoria de Apoio e Assistência à Pessoa Deficiente

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O AMA fornece gratuitamente um guia pratico sobre Autismo que é muito bom, estava lendo e tinha um trecho onde falava como as mães se sentem na hora do diagnostico, e me chamou a atenção.





" Nesta hora você não está perdendo fisicamente seu filho, mas está com certeza, perdendo parte de seus sonhos e planos para seu filho. Com o tempo você vai poder criar novos sonhos e outros objetivos vão surgir, tão importantes e desafiadores como os primeiros... "

terça-feira, 27 de julho de 2010



Artigo – 14 Dicas de ensino para crianças e adultos com autismo
Dicas valiosas da experiência de um autista.

"Bons professores me ajudaram a atingir o sucesso. Eu estava pronto para superar o autismo porque eu tive bons professores. Na idade de dois anos e meio, eu fui colocado num berçário estruturado com professores experientes. Desde a idade de muito cedo, fui ensinado a ter boas maneiras e a me comportar a mesa do jantar. Crianças com autismo precisam ter o dia estruturado e professores que saibam ser firmes, mas humanos."

1) Muitas pessoas com autismo são pensadores visuais.
"Eu penso por imagens. Eu não penso por linguagem. Todos os meus pensamentos são como vídeo-tapes correndo em minha imaginação. Imagens são minha primeira linguagem. Os substantivos foram as palavras mais fáceis de aprender, porque eu podia formar uma imagem em minha mente.

Para aprender palavras como "embaixo" e "em cima", o professor pode mostrá-las para a criança. Por exemplo: Pegar o avião de brinquedo e dize: "em cima", enquanto faz o avião levantar da cadeira."
2) Deve-se evitar séries de instruções verbais longas.

"Eu sou inábil em lembrar seqüências. Se eu pergunto a localização de um posto de gasolina, eu posso lembrar apenas três passos. Localização com mais de três instruções tem que ser escritas. Eu ainda tenho dificuldade de lembrar números de telefones, porque eu não posso formar uma
imagem em minha mente.

Pessoas com autismo têm problemas de lembrar seqüências. Se a criança sabe ler, escreva as instruções no papel. "


3) Muitas crianças com autismo são bons desenhistas, artistas e programadores de computador.

"Estes tipos de talento poderiam ser encorajados. Eu penso que há necessidade de dar mais ênfase no desenvolvimento dos talentos das crianças."


4) Muitas crianças autistas têm fixação em um assunto, como trens ou mapas.

"A melhor forma de trabalhar com essas fixações é usá-las como motivos de trabalhos escolares. Ex.: Se uma criança gosta de trens, então use trens para ensiná-la a ler e fazer cálculos. Leia um livro sobre trens e faça problemas matemáticos com trens. Por exemplo: calcule a distância que um trem percorre para ir de Nova Iorque a Washington."

5) Use métodos visuais concretos para ensinar números e conceitos.
"Meus pais me deram um brinquedo matemático que me ajudou a aprender números. Ele consistia em um jogo de blocos que tinha comprimentos diferentes e cores diferentes para os números de uma a dez. Com isto, eu aprendi a adicionar e subtrair. Para aprender frações, meu professor tinha uma maçã de madeira cortada em quatro partes e uma pêra cortada ao meio. A partir daí, eu aprendi o conceito de quatro e metades."

6) "Eu tinha a pior letra da minha classe", o que fazer?
Muitas crianças autistas têm problemas com controle motor de suas mãos. Letra bonita é algumas vezes muito difícil. Isto pode frustrar totalmente a criança. Para reduzir a frustração e ajudar a criança a adquirir escrita, deixe-a digitar no computador. Digitar é, as vezes, muito mais fácil."

7) O desafio de aprender a ler.
"Algumas crianças autistas aprenderão a ler mais facilmente por métodos fônicos, e outras aprenderão com a memorização das palavras. Eu aprendi pelo método fônico."

8) O incômodo com sons altos.
" Quando eu era uma criança, sons altos como o da campainha da escola, feriam os meus ouvidos como uma broca de dentista fere um nervo. Crianças com autismo precisam ser protegidas de sons que ferem seus ouvidos. Os sons que causam os maiores problemas são: campainhas de escola, zumbidos no quadro de pontuação dos ginásios, som de cadeiras se arrastando pelo chão. Em muitos casos a criança estará pronta para tolerar o sino ou zumbido se ele for abafado simplesmente pelo recheio de um tecido, papel ou um tipo de cadarço ou cordão. O arrastar de cadeiras pode ser silenciado com colocação de borrachas de tênis ou carpetes. A criança pode temer uma determinada sala, porque tem medo que de repente possa ser submetida ao agudo do microfone vindo do sistema amplificador. O medo de um som horrível pode causar péssimo comportamento."

9) Algumas pessoas autistas são importunadas por distrações visuais ou luzes fluorescentes.
"Elas podem ver a centelha do ciclo 60 de eletricidade. Para evitar este problema, coloque a carteira da criança perto da janela ou tente evitar usar luzes fluorescentes. Se as luzes não podem ser evitadas, use as lâmpadas mais novas que você puder conseguir. Lâmpadas mais novas tremem menos."

10) Algumas crianças autistas hiperativas serão por vezes acalmadas se elas forem vestidas com um colete com enchimento.
"A pressão da roupa ajuda a acalmar o sistema nervoso. Eu fui grandemente acalmado por pressão. Para melhores resultados, a roupa poderia ser vestida por vinte minutos e então retirada por alguns minutos. Isto previne o sistema nervoso de se adaptar a ela."

11) Interação para melhorar o contato visual e a fala.
"Algumas pessoas com autismo em particular, responderão melhor e terão melhorado o contato visual e a fala se o professor interagir com elas enquanto estiverem nadando ou rolando em uma esteira. A introdução sensória pelo balanço ou a pressão de esteira algumas vezes ajuda a melhorar a fala. O balanço pode ser feito como um jogo divertido. Ele NUNCA deve ser forçado."

12) Algumas crianças e adultos podem cantar melhor que falar.
"Eles podem responder melhor se as palavras forem cantadas para eles. Algumas crianças com extrema sensibilidade sonora responderão melhor se o professor falar com elas em um leve sussurro."

13) Algumas crianças e adultos não-verbais podem não processar estímulos visuais e auditivos ao mesmo tempo.
"Elas são monocanais. Elas podem não ver ou ouvir ao mesmo tempo, e não podem ser chamadas a ver e ouvir ao mesmo tempo. A elas poderá ser dada ou uma tarefa auditiva ou uma tarefa visual. Seu sistema nervoso imaturo não está apto a processar simultaneamente estímulos visuais e auditivos."

14) Em crianças não-verbais mais velhas e adultos, o tato é algumas vezes seu senso mais confiável.
"Letras podem ser ensinadas ao deixá-las tatear letras plásticas. Crianças autistas podem aprender sua rotina diária, sentindo objetos alguns minutos antes da atividade programada. Por exemplo: 15 minutos antes do almoço, dê a elas uma colher para segurar. Alguns minutos antes de sair de carro, deixe-as pegar um carrinho de brinquedo."


Fonte: Autism.org Traduzido por Kathia, Delegada regional – MG
Texto adaptado para publicação no site do Instituto Indianópolis