sexta-feira, 27 de agosto de 2010


A algum tempo encontrei uma materia sobre uma modelo que tem asperger e participou do reality show " American´s Next top Model", vou postar parte da materia.



Uma talentosa estudante de artes de Valparaíso, Indiana, ela tem uma aparência esbelta e angulosa que é perfeita para a indústria da moda. Mas sua beleza não encobre os desafios representados pela síndrome de Asperger. O programa exige que ela more numa casa com mais 12 aspirantes a modelo e ali os comentários maliciosos e críticas pelas costas são comuns. Logo no início do programa, ela parece socialmente isolada, as outras meninas cochicham sobre ela de modo que Heather possa escutar e o público pode ver a jovem portadora de Asperger chorando ao telefone em conversa com sua mãe.



Uma das meninas fica frustrada porque Heather, concentrada em arrumar sua mala, não ouve um pedido para que saia da frente. Em dado momento, as outras riem quando escolhem suas camas e Heather fica sem lugar pra dormir. “Eu gostaria de entender a piada”, lamenta Heather. “Você. Você é a piada”, retruca outra modelo, Bianca, uma estudante universitária de 18 anos que é de Queens, Nova York.



Mas, ao mesmo tempo em que os estranhos maneirismos de Heather a separam das moças que moram com ela, essas características acabam se traduzindo em um estilo fashion ultra moderno em suas sessões de fotos. Em entrevistas para televisão, ela muitas vezes olha para o lado, incapaz de estabelecer um contato olho no olho. Mas Tyra Banks, a modelo dos anos 60 Twiggy e o fotógrafo Nigel Barker, que aparecem no programa de TV, ficam impressionados com a habilidade que a jovem tem de fazer contato com câmera.
“Eu não tinha idéia de que isso seria algo tão grande”, declarou ela. “Minha mãe está muito entusiasmada. Ela viu que quando eu era criança não tinha amigos e acompanhou meu esforço. Ela está feliz que as pessoas agora estão começando a compreender isso.”

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Olá !
Pesquisando sobre nosso projeto encontrei uma notícia muito interessante, sobre possibilidades de um diagnóstico mais prático e barato. Se isso confirmar-se , será ótimo para todos, uma vez que o diagnóstico precoce facilita o desenvolvimento do autista .

LONDRES (Reuters) - Uma ressonância magnética feita em 15 minutos no futuro poderá ser usada para o diagnóstico mais fácil e barato do autismo, disseram cientistas britânicos na terça-feira.

Eles afirmaram que o teste rápido teve índice de acerto superior a 90 por cento em adultos, e que não há razão para crer que não funcione tão bem quanto em crianças.

Atualmente, o diagnóstico é feito em entrevistas e observações comportamentais que podem ser demoradas e emocionalmente desgastantes.

O autismo é um distúrbio cerebral complexo, caracterizado por dificuldades na comunicação e na interação social, podendo provocar um comprometimento de brando a profundo.

O novo método, que examina alterações estruturais na matéria cinzenta cerebral, pode estar pronto para uso geral dentro de dois anos. O próximo passo é testá-lo em crianças.

Declan Murphy, professor de psiquiatria do King's College, de Londres, disse em entrevista que o novo método permitirá um tratamento mais imediato dos pacientes, especialmente em crianças. Em alguns casos, a terapia cognitivo-comportamental e tratamentos educacionais podem ser altamente eficazes contra o transtorno.

Murphy e seus colegas, que divulgaram a descoberta na publicação Journal of Neuroscience, estudaram 20 adultos saudáveis e 20 outros com diagnostico prévio de distúrbios do espectro do autismo, o que inclui também a síndrome de Asperger.

O índice de acerto foi considerado altamente significativo, mesmo em se tratando de uma amostra tão pequena.

O exame analisa variações na forma e na estrutura de regiões cerebrais ligadas à linguagem e ao comportamento social, usando máquinas comuns de ressonância magnética por imagens.

Como o exame é muito mais rápido, acaba custando cerca de 5 por cento do valor de exames tradicionais, que podem exigir quatro a oito horas do trabalho de vários médicos. Uma ressonância cerebral custa cerca de 150 dólares.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Inclusão social da pessoa autista

Para ajudar os autistas, é fundamental que a família e amigos os tratem normalmente, tentando entendê-los em sua forma de ser e assim tentar ajudá-los, propiciando tratamento em todas as áreas que precisem. O tratamento é basicamente feito de reabilitação: psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, escola, fisioterapia, musicoterapia etc. Muitas pessoas relutam em levar a criança ao psiquiatra com medo de associação à loucura. Só com informações maciças essa idéia errônea pode ser modificada.

O autismo é uma doença como o diabetes, a hipertensão e a epilepsia. Uma criança autista diagnosticada e tratada aos 12 meses tem mais chances do que se diagnosticada e tratada aos 7 anos. Imagine uma criança diabética ao nascimento e só diagnosticada e tratada aos 7 anos? Estaria com problemas irreversíveis. O ideal é que as crianças sejam encaminhadas a psiquiatras e neurologistas da área infantil.

Os autistas possuem todas as variações possíveis de inteligência, mas nem todos estão aptos à inclusão escolar, que depende de uma série de condições da escola, de seus profissionais e da capacidade da criança. Alguns são muito inteligentes e se dão bem pedagogicamente em escolas regulares, apesar de não conseguirem se socializar, pois não entendem o mundo humano e social. Outros necessitam de outras escolas, e aqueles cuja inteligência é mais comprometida têm mais possibilidades em escolas especiais.

Muitas pessoas acham estranho o comportamento dos autistas. Mas é importante integrá-los à sociedade, pois eles possuem dificuldades em fazê-lo. Há diversas técnicas para eles se sociabilizem e cada uma tem um nível de eficiência de acordo com o perfil psicossocial de cada um. Os autistas devem ser estimulados a desenvolverem todas as atividades, sem discriminação.



sábado, 14 de agosto de 2010

Ressonância cerebral pode identificar autismo, diz estudo

Uma ressonância magnética feita em 15 minutos no futuro poderá ser usada para o diagnóstico mais fácil e barato do autismo, disseram cientistas britânicos na terça-feira.
Eles afirmaram que o teste rápido teve índice de acerto superior a 90 por cento em adultos, e que não há razão para crer que não funcione tão bem quanto em crianças.
Atualmente, o diagnóstico é feito em entrevistas e observações comportamentais que podem ser demoradas e emocionalmente desgastantes.
O autismo é um distúrbio cerebral complexo, caracterizado por dificuldades na comunicação e na interação social, podendo provocar um comprometimento de brando a profundo.
O novo método, que examina alterações estruturais na matéria cinzenta cerebral, pode estar pronto para uso geral dentro de dois anos. O próximo passo é testá-lo em crianças.
Declan Murphy, professor de psiquiatria do King's College, de Londres, disse em entrevista que o novo método permitirá um tratamento mais imediato dos pacientes, especialmente em crianças. Em alguns casos, a terapia cognitivo-comportamental e tratamentos educacionais podem ser altamente eficazes contra o transtorno.
Murphy e seus colegas, que divulgaram a descoberta na publicação Journal of Neuroscience, estudaram 20 adultos saudáveis e 20 outros com diagnostico prévio de distúrbios do espectro do autismo, o que inclui também a síndrome de Asperger.
O índice de acerto foi considerado altamente significativo, mesmo em se tratando de uma amostra tão pequena.
O exame analisa variações na forma e na estrutura de regiões cerebrais ligadas à linguagem e ao comportamento social, usando máquinas comuns de ressonância magnética por imagens.
Como o exame é muito mais rápido, acaba custando cerca de 5 por cento do valor de exames tradicionais, que podem exigir quatro a oito horas do trabalho de vários médicos. Uma ressonância cerebral custa cerca de 150 dólares.
O autismo e os transtornos correlatos são diagnosticados em cerca de 1 por cento da população da Grã-Bretanha e Estados Unidos, e afeta igualmente meninos e meninas. Pesquisadores concordam que há um forte componente genético.

Fonte:www.estadao.com.br



quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Olá!
Estava pesquisando sobre Autismo, e entrei no site Anjos de Barro onde encontrei um depoimento muito bonito, gostaria de compartilhar com vocês.


Oi Amigas, talvez não saibam a nossa história, vou resumir...
Eu não fui uma mãe abençoada como vcs, eu tive que ir buscar a minha benção.
Explico: Eu sou diabetica, insulino dependente, posso ter filhos, mas é tão perigoso...
Tentei duas vezes e não deram certo, mas tinha consciencia do risco da criança não ser "perfeita", mas como eu mesma não sou (hahahaha), isso nunca me assustou.
Eu tenho convulsões sempre, e já estive mais de 90 dias (ao todo) em coma. Portanto, eu sou deficiente. Certo.
Até aí tudo certo, eu pensava em adoção, mas nunca de modo especial, e sempre fiz trabalho voluntário. Eis que eu estou em mudança, após a venda de uma empresa, resolví tirar 3 meses de férias no Nordeste, mas precisamente em Aracaju (casa da sogra).
Bem, eu sempre fui voluntária em tudo, ia ter uma festa de Natal num Orfanato, lá vou eu ajudar.
Foi dia 22 de Dezembro de 2002, ela tinha exatamente 3 meses.
Bem, eu brinquei com todas as crianças do orfanato, depois, fui para o berçário.
Quando fui pegar a Má, uma moça falou:
Esta não escuta, ela tem Paralisia Cerebral. Eu a peguei, ela não chorava, não ria, não se mexia (seus pezinhos estavam atrofiando), não reagia a luz, nada.
Eu cantei para ela, e a Má nasceu, ali, naquele momento.
Ela me viu, ela me ouviu, foi a música, ou algum milagre divino.
Bem, mas o fato é que quando eu fui colocá-la o berço ela chorou!!!
Todos vieram ver... Diagnóstico unânime: Carla, é sua filha!!!
Dia seguinte eu na casa !!! do juiz, ele, de pijama, me atendeu em função de conhecer meu sogro.
E disse: Vc quer adotá-la? Tem que morar aqui. Pelo menos até sair a adoção.
Sabe aquele momento em que vc não hesita?
Só perguntei: Tem algum bairro de sua preferência???
Morei em Aracaju um ano. Gastei o dinheiro da venda da empresa todo, rsrsrsr
Ela não tinha PC, só era autista.
Pela demora, pelo abandono, tudo demorou um pouco mais com a Má.
Ela firmou o pescoço com 1 ano e dois meses, engatinhou com quase dois anos.
Riu com um ano e meio.
Hoje a minha benção tem quase 3 anos, está começando a falar e pedir as coisas, está quase andando, e canta...
Canta como uma adulta, tem uma pronuncia perfeita, canta Carinhoso (Argemiro diz que é para mim, e eu, derretida, acredito, hihihi), canta Folhetim, Sobradinho, A vida é um moinho, o Condor... E por aí afora... É a luz dos meus olhos.
Pretendo adotar mais duas meninas, não quero escolher, mas quero que sejam especiais, acho que nasci para ser uma mãe abençoada.
Essa é a nossa história, fotos da "Grande Estrela" lá nas fotos do grupo.
Escreví tudo isso para dizer que as invejo... Muito!!!

Com Amor

Carla da Má

terça-feira, 10 de agosto de 2010


Autismo - Um convite à esperança

Entrevista com Veronica Bird, mãe de um garoto que vai à escola, joga futebol, tem amigos, faz cálculos como ninguém e é autista.

A criança não balbucia uma palavra, não aponta objetos, não olha nos olhos das pessoas. São sinais típicos do autismo, doença que não tem cura e é vista por muitos como uma sentença definitiva. Veronica Bird, 42 anos, brasileira radicada nos Estados Unidos e mãe de um garoto com o problema, também achava que autismo era o fim de tudo. Não acredita mais nisso — e ninguém acreditaria mesmo, ao ver seu filho Ramsey, 7anos. “Ele vai à escola, tem amigos, faz esportes, é super amoroso”, conta Veronica, ex-atriz que decidiu assumir grandes papéis na vida: cuidar do filho e da Veronica Bird Charitable Foundation, entidade divulgadora do autismo, com escritório também no Brasil, no Rio de Janeiro. Nesta entrevista a CRESCER, ela explica sua visão do problema e conta sua experiência.

Crescer: Quando você soube que seu filho era autista?
Verônica: Quando Ramsey tinha quase 2 anos de idade, de repente, ficou diferente: parou de falar, não olhava para mim, parecia totalmente surdo e batia os bracinhos como se fossem as asinhas de um beija-flor. Levei-o a três pediatras e ninguém descobria o que ele tinha. Um desses médicos, porém, achou que Ramsey tinha uma quantidade de secreção anormal nos ouvidos e por isso não escutava. Receitou para ele um antinflamatório. Depois das primeiras doses, ele disparou a falar. Achei estranho e consultei um médico otorrino, que não encontrou nada no ouvido do meu filho. Aí, fui parar no chefão do setor de pediatria neurológica de um famoso hospital, o Johns Hopkins Medical School. Esse neurologista fez vários exames em Ramsey e diagnosticou o autismo regressivo, uma forma da doença que faz a criança perder habilidades que já tinha. Ele disse que o antinflamatório que Ramsey havia tomado, chamado prednisona, estava em estudos para o tratamento de crianças autistas, que essa droga as fazia falar. O remédio tinha funcionado no meu filho. Como você reagiu à notícia? Chorei muito. Ao mesmo tempo, acho que liguei um piloto automático e comecei a agir. Minha família deu apoio, mas meu marido e a família dele não admitiam o problema. Nos Estados Unidos, tudo que se refere à saúde mental é tabu. As pessoas fazem segredinhos. Eu, ao contrário, decidi aprender tudo sobre autismo e fui constatando que essa doença não é o fim de tudo.

Crescer: Como Ramsey foi tratado?
Verônica: Após o diagnóstico, ele passou a freqüentar uma sala de educação especial com outras crianças autistas. E tomou a prednisona por cinco meses. Começou a falar e a escutar. Melhorava cada vez mais. Era a primeira vez que se usava o remédio numa criança com a idade dele, 2 anos na época. Algumas crianças autistas reagem bem a essa droga, mas ela ainda não foi aprovada para o tratamento da doença. Ninguém sabe por que funciona, e o remédio pode ter efeitos colaterais graves e levar à morte. Jamais deve ser tomado sem indicação médica. O que funcionou mais, o remédioou a educação especial? Provavelmente, a combinação das duas coisas. Com os progressos do meu filho, descobri que o autismo é o resultado de uma desordem neurológica que afeta o desenvolvimento do cérebro. Por exemplo, uma criança de 3 anos aprende automaticamente a falar, comprimentar os outros, ir ao banheiro. Se tem autismo, não aprende assim, porque seu cérebro não está se desenvolvendo como deveria. É essencial que ela tenha uma educação especial intensiva, como o Applied Behavior Analysis (ABA) ou o Lovass. São métodos que induzem a uma forma de comportamento. Quando a criança faz o que se pede, ganha uma recompensa. O ABA é utilizado no Brasil pela Associação de Amigos do Autista (AMA) e pelo Centro de Referência e Apoio às Desordens do Desenvolvimento (CRADD). A criança com autismo precisa aprender tudo desse jeito e pela repetição, nem que seja fazendo cem vezes a mesma coisa. Como está seu filho hoje? Ramsey não precisa mais de tratamento. Tem limitações mínimas, puramente sociais. Por exemplo, tem amigos, mas nunca inicia uma amizade. Só fala do que interessa a ele, pois não percebe que o outro tem interesses. Mas é um garoto feliz, à maneira dele. Faz tudo sozinho. Estuda, lê e resolve cálculos melhor que outras crianças. Ele e meu outro filho, o Ryan, que tem 8 anos, têm uma professora de português. O Ramsey está aprendendo mais rápido, e o Ryan reclamou. Eu disse a ele: “Você faz tanta coisa a mais do que seu irmão. Porque ele não pode fazer também?”. Seu envolvimento com o autismo ajudou seu filho? Foi tão importante quanto o apoio clínico e educacional. E também o fato de o diagnóstico ter sido precoce e ele ter tido acesso a um colégio apropriado já aos 2 anos de idade. Isso é essencial para a criança autista progredir, pois seu cérebro está se desenvolvendo até os 5 anos. Se todas as crianças autistas tivessem essa chance, muitas delas estariam mil vezes melhor. Se vocês conhecessem meu filho, não perceberiam nada. Tecnicamente, não posso dizer que ele está curado, pois o autismo não tem cura. Mas me dêem o nome de dez pediatras para eu levá-lo a uma consulta e, garanto, todos vão dizer que ele não tem nenhum problema.

Filme da vida real
Veronica Bird registrou em vídeo a evolução do tratamento do seu filho Ramsey. A produção deu origem ao filme The different shades of autism(As diferentes formas de autismo),feito para orientar médicos, pais e psicólogos a reconhecer os primeiros sinais da doença. O trabalho foi aprovado pela academia pediátrica norte-americana, ganhou vários prêmios e tornou-se um recurso adicional de ensino nas escolas de medicina. “No Brasil, estou buscando uma parceria com o governo federal para reprodução e distribuição do filme em português. Meu objetivo é que, em menos de um ano, ele esteja nas universidades e bibliotecas, com os pediatras e pais”, diz Veronica.

Para saber mais:
Fundação Veronica Bird, Avenida dasAméricas,700,sala 229,bloco 6,Citta America, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ,CEP 22640-100,(21)3803-8080 /3803-7765 /3803-7145,e-mail vbcf@citta-america.com,www.aheadwithautism.com(com versão traduzida para o português).


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Programa permite identificar casos de autismo em crianças por voz
Método distingue garotos com autismo dos demais em 86% dos casos.
Estudo foi realizado pela Universidade de Memphis, nos EUA.


Pesquisadores da Universidade de Memphis desenvolveram um programa que utiliza um padrão de vozes de crianças para identificar casos de autismo, conforme estudo publicado nesta segunda-feira (19) no site Proceedings of The Natural Academy of Sciences.

Realizada por uma equipe da Universidade de Memphis, nos Estados Unidos, a pesquisa considerou 1.486 gravações de 232 crianças por meio de um algoritmo baseado em 12 parâmetros acústicos ligados com desenvolvimento vocal. São 3,1 milhões de declarações e discursos usados pelo time liderado pelo professor Kimbrough Oller.

A tecnologia, conhecida como LENA, mostra que as manifestações pré-verbais de crianças muito jovens com autismo são distintas das demais, com aproveitamento de até 86% nos resultados.

Para o especialista, o trabalho é a prova de que a análise de um grande número de gravações pode ser uma alternativa ao repertório científico em trabalhos sobre desenvolvimento vocal.

"Outros estudos já haviam sugerido que crianças com autismo possuem uma assinatura vocal diferente, mas até este estudo faltava um mecanismo adequado para medição", afirma Steven Warren, professor da Universidade de Kansas e colaborador do estudo.

Segundo Warren, é possível diagnosticar crianças com autismo por meio do espectro vocal com apenas 18 meses. Nos Estados Unidos, o problema é detectado, em média, quase aos seis anos de idade.

"Essa tecnologia pode ajudar os pediatras a encaminhar as crianças a um especialista, se necessário, e prover tratamento mais cedo àquelas com autismo", diz Warren.

terça-feira, 3 de agosto de 2010


Autismo: Acompanhamento com carinho

Jornal da USP

Texto do Jornal da USP explica as peculiaridades dos autistas, como acompanhá-los e observar seus talentos

O que é um autista e como lidar com ele? Aparentemente, não existe muitadiscordância em relação ao autismo - definido pela Associação Nacional de Crianças Autistas, dos Estados Unidos, como inadequabilidade no desenvolvimento, que se manifesta de maneira grave durante toda a vida e aparece tipicamente nos três primeiros anos, afetando cerca de cinco crianças em cada dez mil nascimentos, mais meninos que meninas -, mas no Brasil há poucas pesquisas sobre o assunto e muitas divergências sobre estatísticas. Especialistas e não especialistas concordam num ponto: pouco tem sido feito no País em favor das pessoas afetadas pelo autismo. No mundo todo o avanço na recuperação de pacientes é lento.

Entre os serviços de atendimento a autistas em São Paulo existem dois com características próprias. No Hospital das Clínicas, funciona o Ambulatório Didático de Fonoaudiologia em Psiquiatria Infantil, além do setor chamado Investigação Fonoaudiológica em Psiquiatria Infantil, situado na Cidade Universitária.

O outro serviço é prestado pela Associação dos Amigos da Criança Autista (Auma), fundada em 1990 pela assistente social Eliana Rodrigues Boralli Lopes e o marido Wagner Lopes. A entidade tem sede na rua Félix Pacheco, em Santana, e cuida de vinte crianças. O HC põe à disposição dos pacientes toda a estrutura médica e de pesquisa da USP, enquanto a Auma, armada de muita boa vontade, foi buscar tecnologia nos Estados Unidos, tentando adaptá-la às condições brasileiras.

"Ilhas de habilidades"
O autista evolui na medida em que "funciona" melhor e funcionar é uma questão de constante treinamento.

O termo "funcionar" é utilizado por especialistas no assunto, como Fernanda Dreux Miranda Fernandes, professora que trabalha no setor de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da USP.

Ela explica que, em meio a enorme diversidade, os autistas apresentam verdadeiras "ilhas de habilidades".

Sem mesmo ser especialista no assunto, Eliana Rodrigues Boralli Lopes, mãe de uma menina autista de onze anos e meio, usa o mesmo termo. Desesperada pela busca de alternativas para cuidar da filha, sem sucesso, passou a estudar o assunto a partir de autores nacionais e estrangeiros, até chegar a um grau de amadurecimento que lhe permitiu fundar a Auma e escrever um livro sobre o assunto: Autismo - trabalhando com a criança e com a família. A obra se baseia em dados empíricos e demonstra um esforço para entender o distúrbio autista, a partir da observação do comportamento das crianças.

As diferenças são comuns entre os autistas. Alguns apresentam inteligência acima da média e são identificados como de "alto funcionamento", outros nem tanto.

Há os que conseguem bom raciocínio com números, outros com cores. "É bastante conhecido o fato de o autista conseguir guardar o dia da semana e do mês de dez anos à frente", diz Fernanda, lembrando o filme Rain Man , no qual Dustin Hoffman interpreta alguém com esse tipo de distúrbio.

Para a fonoaudióloga, isso ocorre pela facilidade que o autista tem de centrar a atenção em um determinado objeto. "Tenho um paciente que dirige carros, terminou o curso colegial, tem facilidade em matemática, mas está com dificuldade em química. É dos que têm bom funcionamento", resume. Há os que demonstram interesse por escala de cores e conhecem, pelo nome, todas elas. "Tive um aluno a quem jamais passaram despercebidas todas as graduações do azul", lembra.

Eliana Boralli, da Auma, aponta a dificuldade das crianças de dar nomes às cores. "Eu noto que elas dão nomes de cores a sensações variadas. São capazes, como ocorreu à minha filha, de identificar uma simples corrida com a cor vermelha. Um de meus alunos já identifica um estado de muito nervosismo com calor intenso."

Cerca de 60% dos autistas não falam. E todos mantêm distúrbios em seu contato com o mundo com o qual se relacionam de modo muito específico, geralmente através de gestos. Os bem adaptados convivem com algum tipo de sociabilização, embora os agrupamentos possam se dar em níveis muito diferentes.

"São pessoas muito suscetíveis ao que se ensina. Mas, pela dificuldade de conhecer o outro e a si mesmas, não entendem sentimentos de alegria ou tristeza, por exemplo. Não são capazes de avaliar a dor alheia ou a sua própria, pois são incapazes de perceber as sensações", segundo a professora Fernanda.

Futuro digno
Isso se explica pelo fato de os autistas terem "dificuldade em estruturar o eu". A assistente social Eliana Boralli prefere dizer que "os autistas têm o eu lesado, de onde se originam muitos de seus problemas". Tal fato se refletiria nas crianças quando não usam adequadamente as palavras ou as aplicam sem manter nenhuma relação com o que está sendo dito. "Talvez aí muitos pais vejam ligações que, às vezes, não existem e passem a entender que seus filhos são até muito mais inteligentes do que parecem ser, numa tentativa de salvá-los do mal de que são acometidos", observa Fernanda Dreux.

"Minha filha gosta bastante de computação e eu vejo um futuro digno para ela", acrescenta Eliana Boralli, lembrando Temple Grandin, autista norte-americana, PhD em ciências animais, biológa e engenheira bem-sucedida, que representa até hoje um desafio para a compreensão do autismo e suas implicações.

Entre os autistas não se generalizam nem fracassos nem sucessos, mas os sucessos são raros, afirma Fernanda Dreux. Estas questões, segundo ela, estão também relacionadas à família, quanto à aceitação ou não da criança desde a concepção. "O desenvolvimento da criança será melhor ou pior a partir do tratamento da criança pela família", informa.

Habituada a desenvolver trabalhos de grupo, Eliana não entende o tratamento de crianças autistas sem a participação familiar. Ensina essa prática na sede da Auma, indicando o melhor meio de conviver com o problema. Aplica nas crianças um método desenvolvido pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, adaptado à cultura brasileira. É o método Teacch (Tratamento e educação para autistas e crianças com déficits relacionados à comunicação).

Hoje, depois de anotar pormenorizadamente o comportamento de cada criança inscrita na Auma, freqüentar seminários e realizar trabalhos junto a outras entidades com o mesmo objetivo, foi convidada a conhecer o trabalho desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte, no ano que vem.

Eliana tem planos de transformar sua entidade num centro de estudos e pesquisas da doença como parte de seus objetivos a serem alcançados no ano 2000.

Para a professora Fernanda, o processo de aprendizagem percorre um caminho linear, embora haja graus de intensidade de tal distúrbio, que variam de acordo com o país, a cultura ou a linha de raciocínio dos autores. "Há países em que determinados tipos de comportamentos são mais tolerados que em outros, o que leva a crer que os distúrbios, de modo geral, são uma questão também cultural."

Ela exemplifica isso através do comportamento de um autista vindo do Ceará para um seminário em São Paulo, tido por seus orientadores como perfeitamente adaptado. "Durante o evento, o rapaz ficou o tempo todo abraçado a um palestrante alemão, provavelmente para desprazer desse e aprovação dos orientadores."

Isso significa que, no entender dos cearenses, o rapaz estava perfeitamente sociabilizado e, no entender do alemão, cuja cultura propõe maior distanciamento em ocasiões como esta, talvez não. Segundo Fernanda Dreux, crianças autistas aceitam o afeto momentaneamente e podem dispensá-lo em seguida.

De acordo com as pesquisas que vem empreendendo na Auma, Eliana constatou que grande parte dos autistas não entende ou não gosta do contato físico; aprende por associação e pode ou não falar ou escrever. Ela concorda com a fonoaudióloga quando diz que os autistas não se agrupam, nem mesmo a seus pares.

As estatísticas sobre o número de autistas existentes no mundo são divergentes. Variam de 4 a 5 para 10 mil nascimentos e de 2 a 3 para cada grupo de 20 mil.

domingo, 1 de agosto de 2010

Área do Autismo

DOCUMENTO ELABORADO DURANTE O VII CONGRESSO BRASILEIRO DE AUTISMO, EM FORTALEZA-CE

A Associação Brasileira de Autismo – ABRA, entidade nacional que congrega as associações de pais e amigos do autista no Brasil, reunida durante o VII Congresso Brasileiro de Autismo, realizado na cidade de Fortaleza – CE, no período de 21 a 26 de novembro de 2006, considerando a realização da Câmara Técnica “Década das Pessoas com Deficiência” a ser realizada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos por meio da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, elaborou juntamente com a comissão escolhida na plenária do Congresso o documento que segue, no intuito de colaborar para a melhoria das condições de atenção à Pessoa Portadora de Autismo e de outros transtornos do desenvolvimento.

Os participantes do VII Congresso Brasileiro de Autismo, pais, amigos, profissionais, pessoas com autismo reivindicam da SEDH/CORDE que o documento seja considerado como subsídio de estudo e encaminhamento durante a realização da Câmara Técnica, assim como que o mesmo seja divulgado no âmbito do Governo Federal, incorporando-o nas metas da década.

Para que possamos de fato atingir as metas do milênio, as pessoas com Autismo e suas famílias devem ser contemplados nos seguintes aspectos:

1. Que as famílias tenham garantia de cumprimento das políticas publicas de assistência social, saúde, educação, transporte, lazer, cultura, e esportes.

2. Criação de pelo menos um centro de referencia em atenção à pessoa com autismo, por estado.

3. Criação de Programa Educacional Individualizado, atendendo as necessidades especiais e singulares das pessoas com Autismo, independente da idade, sexo, condição, social, raça, religião ou orientação política. O mesmo deve ser elaborado em parceria com as famílias e organizações do terceiro setor interessadas nesta causa.

4. O atendimento com educação de qualidade por profissionais capacitados para atender pessoas com Transtornos do espectro do autismo deve ser garantido, quer seja em escolas regulares ou de ensino especial.

5. Regulamentar, no âmbito educacional, a figura do facilitador: profissional que tem a função de acompanhar o educando com autismo intermediando a ação pedagógica e promovendo as adaptações curriculares necessárias a sua inclusão.

6. O atendimento em saúde seja garantido em equipes multiprofissionais capacitadas para atender Pessoas com Transtorno do espectro do autismo.

7. Garantir acesso aos medicamentos necessários ao tratamento de sintomas alvo, respeitando a resposta individual de cada um.

8. Atendimento especializado a gestante e ao recém nascido em cuja família já existam casos de Autismo.

9. Objetivando a melhoria da qualidade de vida das pessoas com autismo e de suas famílias: estimular e apoiar a permanência de tais pessoas no seio familiar. Criando programas de acompanhamento e orientação sistemática para as famílias. E, nos casos em que de todo não seja possível à permanência com a família, sejam criadas residências terapêuticas especializadas em Autismo, respeitando o desejo e as potencialidades de cada indivíduo. A utilização dessas residências poderá ser por períodos variáveis, levando em conta as necessidades de cada caso.

10. Objetivando a inclusão social, promover campanhas informativas para sensibilizar a comunidade sobre as necessidades do individuo com autismo e de sua família.

11. Estimular o diagnóstico e a intervenção precoce, por meio de capacitação dos pediatras e outros profissionais da saúde e da educação. Criação e divulgação de serviços especializados em intervenção precoce em casos de suspeita de transtorno do espectro autista.

12. Capacitar os serviços de saúde, inclusive os de atendimento de emergência, de saúde bucal e ambulatórios em geral, assim como outros que prestem atendimento direto à população a lidar de forma mais adequada com as pessoas com Transtornos de comportamento.

13. Estimular a inclusão no mercado de trabalho, objetivando uma vida autônoma e produtiva da pessoa com autismo. Treinar profissionais em orientação vocacional e identificação de talentos, habilidades e interesses com fins de profissionalização e inserção no mercado de trabalho. Criação de oficinas terapêuticas e postos em emprego protegido.

14. Os benefícios de assistência e previdência social devem poder ser retomados, caso a inclusão no mercado de trabalho não tenha continuidade.

15. Isenção de impostos para aquisição de equipamentos e recursos específicos para aperfeiçoamento dos serviços de atendimento especializados.

16. Conceder incentivos fiscais a empresas que ofereçam apoio a organizações não governamentais que promovam o atendimento e orientação a pessoas com autismo e suas famílias.

17. Incentivar cursos de capacitação para formação e reciclagem dos profissionais envolvidos no atendimento das pessoas com autismo.

18. Favorecer a troca de experiências e informações com serviços e centros internacionais especializados.
19. Apoiar a criação e o fortalecimento de associações de pais e de pessoas com Transtornos do espectro do autismo, visando sua maior participação na sociedade e intercâmbio de experiências, controle social da execução das políticas públicas para o setor.

Fonte: CAADE – MG | Coordenadoria de Apoio e Assistência à Pessoa Deficiente